Já faz um dia que andei pensando que estava errada em relação a uma coisa/uma frase que já repeti algumas vezes, principalmente por aqui: “não estou esperando um príncipe num cavalo branco”, eu meio que estou.

Na verdade, eu não sei se estou. Vou tentar explicar… Primeiro eu achei que não estava esperando o príncipe por acreditar que não espero por alguém perfeito, que não idealizo, que não tenho uma lista com todas as características em alguém pra eu amar. Mas o fato de ser flexível com características que podem ser listadas não quer dizer que eu não espere alguém que vai me amar. E esse amor que eu espero talvez seja um amor idealizado. O amor que eu espero é um apaixonado que rouba o pensamento, o sono, e risada (mesmo em momentos inapropriados). É um amor que respeita, que dá espaço pra sacrifício, que se esforça, um amor dedicado. Se por um lado esse tipo de amor esperado por mim foi construído por uma visão romântica de mundo, hollywoodiana, como nos romances que eu leio (em que, independente de como são os mocinhos, eles amam as mocinhas de forma incondicional) e, por isso, irreal e idealizada o livro que decidi acreditar e seguir, a Bíblia, fala de casamento como um relacionamento onde um homem ama uma mulher como Cristo amou a Igreja, é um amor entregue, selfless, sacrificial. É um amor assustador, se você perguntar. É um amor que larga tudo pra cuidar do outro e fazer o outro feliz. É um amor ideal. Mas é o amor com que um marido deve amar sua esposa, e eu espero por isso. Eu não espero que isso acontece do dia pra noite, e eu sei que enquanto humanidade corrompida nenhum homem vai ser completamente livre do egoísmo, e eu não espero ser adorada. Eu sei que em Cristo Jesus a gente é aperfeiçoado em amar, alguém que permite que o Santo molde o seu coração é alguém caminhando pra esse amor selfless. Em Cristo eu acredito que dá pra existir um amor dedicado, um amor que nunca vai ser igual o de Jesus pela sua noiva, a Igreja, mas que chega perto, que tenta.
Por um amor assim submissão faz sentido, faz sentido seguir, obedecer, e aceitar um amor tão radical. Não é fácil deixar alguém considerar a sua vontade antes da dele, antes da própria, alguém que te ame mais que a vida. Não sei se você se sente assim também,, mas um amor desses me assusta, deixar alguém me amar esse tanto me assusta. Ainda assim, é um amor que chegue nesse ponto que eu espero, um amor que é philos e é também eros, um amor que caminha pra ser completo, pra ser ágape.
Então eu estou esperando por um amor que não desiste fácil, que me considera, um amor de cuidado. Cuidar e ser cuidada, dá vontade, soa bem.
Mas eu acabei escrevendo isso hoje por causa dos sinais, ou não. Eu tenho passado muito tempo lendo romances para jovens adultos. A maioria deles se passa no ensino médio nos EUA. Eu aos 25, terminado arq e no cursinho e sem ter tido um primeiro namorado, um primeiro beijo e um primeiro amor correspondido me identifico bastante com as histórias. Tenho tentado perceber a influência de ler tantas histórias de amor. Uma que percebi foi a construção de um sonho médio americano, vontade de construir uma família nos EUA, pros meus filhos (se um dia eu tiver) experimentarem neve e férias de verão, casa sem muro com casa na árvore no quintal, ter jogos de futebol (americano) da escola pra assistir na sexta a noite, pra eles terem house parties e balanços na varanda, pra eles viverem a experiência de terminar escola e ir pra faculdade, morar num dormitório, pra eles terem trabalho de verão, escaninho na escola, uma grade mais prática e eletiva. Sei lá, o sonho americano ganhou peso pra mim.
A coisa da idealização também foi intensificada. Me ajudaram a aceitar e entender um pouco mais submissão, entrega e essa coisa de quando fazer o outro feliz é a própria felicidade..
Mas colabora pra carência né. Aí a coisa do sinal foi que na playlist apareceu a “song 6” do George Ezra e ele falou algo sobre estar a procura de um amor, a próxima música era do Charlie Brown “um dia a gente se encontra” sobre viver, aproveitar que um dia a gente se encontra. E eu recebi como um sinal de que someday o meu someone me encontra. Mas umas músicas depois a música que apareceu foi a “tired of waiting for you” do Greenday (que eu descobri agora que é do the kinks? mas eu ouvi a versão do Greenday) . Aí se toda música for um sinal, qual sinal que vale? De qualquer forma uns dias mais que outros (hoje) eu fico cansada de esperar também. Então, please don’t keep me waiting for you.
Não vai mudar nada, a carência o ou não querer esperar mais, porque eu vou continuar esperando assim mesmo, eu não mudei a minha forma de pensar e não encontrei alguém disposto a tentar (com quem eu queira tentar). Então é vida que segue.
Eu tive um sonho gostoso outra noite, alguém me chamava de “amor” meio que sem querer e eu derreti, quando ele falou “não foi o que eu quis dizer” eu respondi com “meesmo?” acho que ler tanto romance me fez flertar em sonho haha
Aqui é um lugar tão seguro que dá pra eu contar até essas coisas. Meio oversharing mas eu me divirto escrevendo pra cá.