*!!* Contem spoilers de Homem Aranha – Longe de Casa [e, do Avangers – Endgame, logicamente] e Darkest Drae (a serie de livros) *!!*
Eu gosto dos filmes da Marvel, eu gosto dos heróis da Marvel. Eu não sou a mais fanática, eu não sei tudo; volta e meia eu descubro que pulei um filme (homem formiga e mulher vespa eu ainda não vi), perco alguma coisa de alguma história e fico boiando depois. Mas eu gosto bastante. Me esforço pra ver no cinema, e são os únicos filmes que eu gosto de assistir no cinema. Vou explicar a minha teoria sobre cinema: cinema é bom pra ver filme da Marvel, sozinho. Eu acho cinema um passeio caro de se fazer, o que já faz com que eu não queira muito ir. Acredite, tem uma locadora (de filme) perto da minha casa, então eu prefiro esperar o dvd chegar lá e assistir no aconchego da minha casa, com pipoca de $2,00 e coco-cola (honestamente, eu nem sou muito chegada em pipoca, prefiro fandangos, mas deu pra entender que em casa o filme e os snacks ficam mais baratos..). Além disso não é um passeio em que você conversa, troca ideia, olha alguém no olho, por isso não é um passeio que eu gosto de fazer com amigos, eu acho que são 2h, que poderíamos estar conversando e nos conectando, perdidas olhando pra uma tela. Assistir filme é algo que dá pra fazer sozinho. E é bom ir sozinha. Dá uma leveza contrariar a regra, a expectativa. Rir sem dó na hora que dá vontade, não ser interrompida por comentários (nem por alguém tentando adivinhar o que vai acontecer depois). Dá pra seguir com meu esquema de comer fast-food na sala de cinema, de preferência com milk shake. Dá pra esperar até o último letreiro subir. É uma delícia ir no cinema solo.
E hoje eu fui, solo, pra ver o Homem Aranha, longe de casa. O Homem Aranha é um dos meus personagens/ heróis favoritos, eu gosto de todos os homens aranhas (as fases/atores). Mais nova, assistia o “espetacular homem aranha” (desenho). Eu sempre gostei do peso da responsabilidade que fica evidente na história “com grandes poderes vem grandes responsabilidades” e como ele perde o tio Ben (?). É uma história triste, que começa com perda e é permeada desse peso. E eu gosto dela, e do Peter Park, o nerd. (tá em alta né). Gosto de graça.
A mensagem que ficou comigo do filme com certeza foi como as aparências enganam. E como esse lembrete se faz necessário no mundo em que vivemos. São várias as máscaras disponíveis pra gente se esconder, fingir, enganar, são muitas as chances pra hipocrisia. Dá pra se esconder em foto de perfil, em filtro , em perfis cuidadosamente elaborados e construídos. No filme tem o pobre menino rico, que se mostra rico e se esconde em luxo enquanto sente a ausência dos pais, sempre só, mas sempre sorrindo pra câmera, sempre seguido por conexões virtuais. A própria MJ veste a máscara de indiferente, sinistra, como armadura pra se proteger de intimidade, vulnerabilidade.
E, claro, o tema do filme: um vilão se posando de herói, criando ameaças pra ele mesmo derrotar. Mais forte que isso é a ideia de os monstros serem ilusões -bem simbólico né!?. Meio Scooby Doo se me perguntar (e eu amo!). Mais profundo ainda é a premissa de que estamos dispostos a acreditar no que a gente quer acreditar. De que precisamos de acreditar em alguém, precisamos de um herói, de esperança. Se no mundo marvel a ausência de Tony e alguns outros deixou esse vazio, esse buraco onde deveria haver esperança, no nosso mundo nos enchemos de fantasia, de entretenimento pra tentar algo (talvez seja só uma fuga, talvez seja a nossa insistente busca por esperança, por salvação).
É aqui que falo que há uma esperança, que há salvação através de um herói, de um apenas: Jesus, o Cristo, que nasceu, viveu sem pecado, morreu (por nós), ressuscitou e hoje vive. Ele é Deus, o meu Deus, Ele não é ficção, Ele não é invenção, Ele é uma pessoa, real, acessível e perfeita. São tantas as distrações, mas Ele existe e Ele é esperança pra quem vive, esperança de reconciliação com Deus, esperança de plenitude, de propósito, de salvação. Por mais tentador que seja acreditar que qualquer caminho funciona, que a sua verdade é a sua realidade, que vai ser com cada um o que cada um acredita, não é isso que a Bíblia fala, não é isso o que Deus diz, e eu acredito nEle. Tem um caminho, um Deus, uma chance, uma verdade.
Outro aspecto interessante que o filme me fez pensar, que eu fiquei refletindo sobre, foi o sentido aranha. Peter conseguiu vencer as ilusões, as distrações quando ele parou de confiar naquilo que ele via. Nossos olhos nos enganam, nosso coração é enganoso. O que a gente enxerga a gente não pode esperar. Basicamente Peter me deu uma lição de fé, você fecha os olhos e caminha, você fecha os olhos e confia, você crê, e então você vê. Tenho lido salmos esses dias, e estou há alguns dias no salmo 119, hoje eu li um verso que me fez lembrar de outros textos que falavam de fé e esperança e sobre como quando há esperança não há muito espaço para os olhos. [o salmo 119, versos 81 e 82: “mas na tua palavra depositei minha esperança/ meus olhos fraquejaram de tanto esperar pela sua promessa..”].
Ainda no filme, Peter parecia ser o menos qualificado quando comparado a Mysterio. Uma coisa que eu achei ruim foi que o conselho “não peça desculpas por ser a pessoa mais inteligente da conversa” foi dado pelo vilão. Eu achei um bom conselho, não deixar o desinteresse dos outros apagar o seu, não deixar sua curiosidade de lado pela apatia dos outros, não deixar de fazer perguntas por medo da reprovação dos outros. O que não deve ser desculpa para arrogância e falta de noção; se você tem algum conhecimento que outras pessoas não tem adeque a linguagem, compartilhe conhecimento. E lembre-se que “a mais mais inteligente da conversa” pode não ser você. São várias as inteligências e todo mundo sabe pelo menos uma coisa que você não sabe (e você sabe pelo menos uma coisa que outra pessoa na conversa não sabe). Não se diminuir quando souber algo e não deixar o algo que você sabe subir a cabeça.
Na coisa de precisar tanto de um herói que se aceita qualquer um eu fiquei pensando naquela outra frase, “você aceita o amor que acredita merecer” ou coisa assim, e é verdade.
A série de livros também fala um pouco disso, sobre as aparências enganarem; aquele que era vilão (Irrick) na verdade era um mocinho aprisionado (Tyrick), aquele amigo e aquele amante que ela tinha no livro um eram ilusões, partes de um todo que ela não conhecia, não reconhecia. Depois a protagonista aprende a se esconder, a se cobrir de invisibilidade – more deceiving. Ela aparentava ser humana e era outra coisa (Phaetyn), ela aparentava ser Phaetyn e era uma terceira coisa (também Drae), ela era uma mistura.
A essência e a verdade se perdem nas ilusões e aparências. E as aparências enganam. Os ohos são deceiving .