” ’cause you’re she is an artist
and your mind does’t work the way you wanna it to”
Se eu tiver pegado certo, esse é um versinho perdido no meio de uma música que eu gosto, de uma banda q eu gosto muito:
A música eu gosto muito porque, embora não tenha (mais) um mapa na parede do meu quarto, eu também tenho “big big plans” que parecem cada vez mais distantes: viver aventuras, viajar muito, conhecer o mundo todo. A coisa do “if I don’t leave now, then I’ll never get way” também faz mais sentido do que eu gostaria.
Mas não foi pra falar do meus desejo de ir que eu comecei esse post. Foi por causa daquele primeiro verso, porque podia ter sido pra mim.
Eu fiz terapia por um tempo no ano passado e uma das conversas com a S foi mais marcante, foi quando depois de falar muito de mim mesma e o que eu queria e o que eu gostava e ela falou “você é uma artista”. Ela não perguntou, ela afirmou, ela concluiu. E eu devo ter respondido um “é !” porque fez muito sentido. O desejo de criar e e gerar emoção, de impactar alguém de uma forma profunda, positiva, bonita se possível. A necessidade de me expressar, a vontade de entender o outro e tentar me fazer entendida. A criatividade junto da empatia e essa necessidade de me expressar (que eu escrevi duas vezes porque precisei).
E aí o versinho veio crescendo em sentido, eu percebo em mim essa mente artística e eu percebo em mim essa mente por vezes confusa, cheia demais, que pensa demais, uma mente tendendo à uma mente criativa.
Eu já não lembro porque desde ontem voltei nesses pensamentos, na fala da S, no verso da música, na forma como eu vejo.
Talvez seja a manifestação de um medo de não conseguir fazer arte. De me perder em uma vida comum, de seguir uma carreira que não dê espaço pra essa minha mente.
Mas aí eu volto em outros pensamentos recorrentes: hobby não é profissão e dá pra fazer qualquer coisa virar arte. Se sobre o primeiro pensamento eu já escrevi bastante por aqui, do segundo nem tanto.
É que eu entendo que qualquer coisa feita com paixão e maestria tem um quê de arte, pode ser um cupcake, o motor de um carro, pode ser até um relatório ou uma planilha, pode ser uma cirurgia bem executada ou um diagnóstico bem feito. A Shonda falou em um TedTalk sobre um “hum” (não sei se ela escreveria assim, mas um zumbido que ela sente quando se encontra naquele lugar de plenitude de estar fazer bem o que aquilo que só ela pode fazer daquele jeito), eu acho que esse “hum” é o que o “artista” sente quando está criando a própria arte. Por essa lógica todo mundo pode ser artista, e nem por isso todo mundo é. Quem vive pelo comum, que faz por fazer não seria artista. Quem não faz uma “obra prima” independe da área em que atua não ganha o título. Quem faz, ou vive tentando seria .
Eu não acho que descobri qual meu instrumento pra ser essa artista que por dentro eu sinto que sou. Eu amo tanto escrever, escrever por aqui, mas não sei o que fazer com isso. Eu amo tirar fotos e amo algumas fotos que tirei, mas não o que fazer com isso. Eu amo quando consigo realmente me conectar com uma pessoa, estranho ou conhecido. Eu amo dar conselho bom. Eu amo sentir o vento no cabelo e a adrenalina na veia. Eu amo tanta coisa. Queria aprender logo como viver com mais dessas coisas, quero ter espaço pra ser eu, vagando pela cidade com ou sem câmera independente da hora. Quero não precisar de companhia ou desculpa pra dançar em qualquer lugar quando der vontade. Eu quero criar coisas que impactes pessoas, que a gente se descubra e se identifique.
E eu fico frustrada por não ter feito isso ainda, por não ter descoberto como. Eu acho que eu preciso descobrir.
PS: estou numa onda de ler romances para jovens adultos, o que já me faz pensar em escrever com mais frequência; o último que eu li (Love, Life, and the List, da Kasie West) a protagonista é uma artista, uma pintora, e isso pode ter me influenciado a escrever hoje.